A noite chegou e comemos num restaurante próximo ao hotel. A decoração do bar era temática, sobre artistas de rock e filmes de antigamente. Tudo bem legal, igual à milanesa que pedimos.
Passamos aquela noite com o Gustav, o funcionário que trabalhava à noite no hotel, tal como as noites anteriores. Isso foi necessáiro, porque senão teríamos perdido muito tempo em procura dos nossos destinos. A Grande Buenos Aires, por onde giramos, é grande e tri urbanizada, cheia de ruazinhas, e só o mapa não bastaria; o Gustav acabou servindo como nosso guia.
Na real, isso fica de lição pra uma futura aventura, Buenos Aires tem vários programas legais pra se fazer. Escolhemos visitar os estádios de futebol, mas as coisas não se esfogam nisso. Me chamou a atenção uma ação do governo local tri legal, durante o verão: shows, peças de teatro, sessões de cinema, exposições, ou seja, eventos culturais, aconteceriam toda semana, nas praças da cidade, ao ar livre, muitas à noite. O bala é que tinha atrações pra todos os gostos: shows de rock, tango, música clássica etc, uma programação tri eclética.
Como optamos por futebol, nada melhor que nos munir de informação com o Gustav, torcedor do Textil Mandiyú. O clube é tri pequeno, e no passado subiu alcançou a primeira divisão nacional. Ele tem sede na província argentina de Corrientes, aquela que faz fronteira com o Brasil. É por isso que nosso guia tem uma simpatia tri grande pelo Brasil, e pretende visitar nossas praias em breve. Acabamos indicando a pousada do nosso amigo Motta, em Bombinhas (www.residencialmotta.blogspot.com).
Com o Gustav, afinal entendemos como funciona o campeonato argentino. Há várias divisões, e os clubes da primeira divisão levam vantagem sobre os das demais na classificação para a divisão superior. Isso porque um time passa para a próxima divisão não por vencer o campeonato, como ocorre no Brasil, mas sim pela média de pontos obtidos nos últimos três anos. Assim, clubes com tradição não caem facilmente, porque tem um histórico normalmente estável.
O legal do futebol argentino, tivemos que concordar, é a paixão que o castellano tem pelo seu time. Há uma diversidade de clubes, e eles são tri enraizados nas redondezas onde se formaram, nos bairros... há inclusive rivalidades mortais entre os bairros, por conta dos clubes, tipo La Boca (do clube Boca Juniors) versus Palermo (do clube River Plate); ou dentro de um mesmo bairro, tal como no bairro porteño de Chacarita, em que o confronto é entre o Chacarita Juniors e o Atlanta; ou na cidade de Avellaneda, que vive o embate Racing versus Independiente.
As torcidas também, em sua maioria, tem apelidos dados pelos principais torcedores rivais. Em Porto Alegre, o torcedor do Grêmio é gremista e o do Inter é colorado ou macaco. Lá, o do Boca é xeines e o do River é milllonario ou gallinero.
A torcida do Boca, inclusive, chama os policiais da capital de "rojo botón", em referência ao fato de que os policiais são em sua maioria contra o Boca, para favorecer o River, por isso rojo, vermelho, cor do clube.
Coincidência ou não, o gordão policial que patrulhava o bairro do nosso hotel era torcedor do River. O cara se riu todo quando eu, com a camiseta do Boca, chamei ele de "rojo botón". A organização da polícia foi outra surpresa que tivemos na capital: o gordão policial vinha todas, mas todas as noites, girar pela rua do nosso hotel... descobrimos a polícia divide as áreas da capital entre os policiais, o que favorece a proximidade dele com a comunidade... o sistema nos pareceu bem eficiente. Numa noite, um barderneiro foi pego pela polícia na esquina duma quadra próxima ao hotel, mas o "rojo botón" disse que não conseguiram prendê-lo porque faltavam provas, apesar de todos ali no bairro já saberem que o cara é bandido, já que foi preso várias vezes... se aflorasse o espírito justiceiro do porteño, a população apoiaria a chacina do bandido pela polícia...
O gordão que patrulhava nossa região tinha uma missão meio difícil. De primeira não percebmos, mas o Hotel Fiorentino fica na "zona roja" de Buenos Aires, zona vermelha, quero dizer, a zona dos travecos! De noite, não dava pra olhar muito, senão os/as caras pensavam que queríamos casar! O esquema era tão grave que, num dia, resolver trocar de quarto no Hotel e, adivinhe, encontramos umas siringas na cama do possível quarto! Ui, que arrepio! Acabamos continuando no nosso quarto, ao menos limpinho e cheiroso.
Foi desse quarto que a gente também teve idéia do que é a televisão na Argentina, muito diferente da brasileira. Lá, o grosso dos canais apresenta noticiários, no estilo CNN, novelas são raras. Muito legal a engraçada a TV Crónica, uma espécie de Guaíba porteña, só que sensacionalista, muito bizarra! A programação se resumia a umas manchetes e imagens, meio toscas... é certo que o audiência dessa emissora deve ser o aposentado porteño, indiferente quanto á tecnologia; os microfone dos repórteres tinham o formato de sorvetes, lembraram os anos 80... as reportagem se repetem continuamente, tanto é que não parava de passar na tevê, durante a semana que ficamos ali, uma notícia sobre um cara que havia sido atropelado nos trilhos de trem... grande notícia...
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